domingo, 2 de setembro de 2012
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Cotidiano
Cotidiano
São seis da manhã,
Um galo que cantaEncanta as horas
Hora da preguiça
De cobrir o corpo
De bem cochilar
De não despertar
O galo insiste
As horas se vão
Noutra direção
Abrir o chuveiro
Para eu acordar
Co´a água corrente
Levanto da cama
Dispo-me do pijamaEscovo os dentes
O banho está quente
Expulso a moleza
Apressada, estou
Qualquer roupa valeColoco sapato
E, bolsa ao ombro.
Café está pronto
Pão na torradeiraManteiga no pão...
Volto pro espelho
De novo os dentesDepois o batom...
Na mão, guarda-chuva
Celular ao ouvidoPenso em promoção
Melhor não pensar.
Adentro o carro
Ligo o notebookDepois o motor
Engato a primeira
Bendigo as notícias
Observo a rua
Sem me observarE dou marcha ré
Para estacionar...
No trabalho estou
O dia nem começou
Eu já quero parar....
segunda-feira, 16 de abril de 2012
O passado se refaz

O passado se refaz
Sexta-feira, 06 de abril de 2012.
Não uma sexta-feira qualquer. Sexta-feira Santa. A igreja católica celebra e contempla a paixão e morte de Cristo, com Liturgia da Palavra, pretendendo mais uma vez introduzir os fiéis no mistério do sofrimento e da morte de Jesus, salvador de toda a humanidade. Aconselha-os a fazerem algum tipo de penitência, como jejum e a abstinência de carne e qualquer ato que se refira ao prazer.
Infringir a si próprio com o castigo de em pleno feriado estar na Avenida Paulista, centro
nervoso de São Paulo, poderia ser exemplo de penitência, mas como se remir de alguma culpa diante da capital fantasma, merecidamente assim descrita, por seu minguado trânsito e pelas poucas pessoas nas ruas, neste dia?
Sem compromisso de trabalho, o turismo torna-se uma das melhores opções na riquíssima cidade cultural em feriados prolongados, porque dela esvaziam-se moradores e trabalhadores.
Ainda assim, arriscar o passeio por meio do metro parece, ao primeiro golpe de vista, loucura, entretanto não se proposital a intenção de andar a pé ou de transporte público na cidade paradoxo, onde, diariamente, milhões de brasileiros sofrem de estresse até chegarem ao seu destino.
Dessa forma, ir de metro da Consolação à Estação da Luz, visitar o Museu da Língua Portuguesa, na cidade com a maior população de falantes do português no mundo, e apreciar a Estação da
Luz - patrimônio histórico do Século XIX - pode ser para qualquer pessoa uma ótima escolha, com no máximo dez minutos despendidos de um ponto ao outro entre as plataformas subterrâneas.
Entrecortar o interior da Estação da Luz com olhos entusiastas pelos anos 70 também pode a quem por ali passe ressalvar um tempo sem globalização e modernismo, em que trens chegavam e partiam numa frequência muito maior que hoje, para cidades que na atualidade já não recebem
esse comboio de carros sobre trilhos, porque a malha ferroviária deixou de ser utilizada quando deu lugar às rodovias e aos aeroportos. Na verdade, o tráfego de passageiros de longa distância terminou em 1997 e a estação passou a ser apenas para os trens metropolitanos da CPTM.
O adulto de hoje, criança há quarenta anos, poderá ver-se de mãos dadas com seus pais, a observar deles a outra mão vazia a segurar uma mala marrom pela alça, sem imaginar que um dia viria a ter rodinhas para ser puxada e que seria até mesmo colorida.
Com olhos de outrora, o adulto poderá observar os trilhos da plataforma – reformados no ano de 2004, quando a estação foi restaurada, também na arquitetura - e viajar no tempo por infinitas horas, vendo-se dentro do trem.
A Estação da Luz, patrimônio histórico da cidade de São Paulo, já o é há muito das pessoas que se utilizavam dela.
Por isso, passear no Museu da Língua Portuguesa e, dependendo de onde venha essa pessoa, atravessar toda a estação por dentro, será como ganhar um momento único com o passado a resgatar um pedaço da vida, guardado nas malas da infância.
Siga em frente, diz a placa.
Chegando ao museu, paga-se um valor quase simbólico e torna-se visitante, convidado a seguir para os elevadores de acesso. Eles são também espaços expositivos, que permitem uma visão total da escultura “Árvore de Palavras”, criada por Rafic Farah. Além de, no interior deles, se ouvir uma espécie de mantra, composto por Arnaldo Antunes, que repete as palavras “língua” e “palavra” em vários idiomas.
Seguindo para o segundo andar, descobrem-se painéis que mostram um pouco da história do edifício-sede da Estação da Luz e os trabalhos de restauro; a Linha do Tempo com recursos interativos onde o visitante pode conhecer melhor a história da Língua Portuguesa; o Beco das
Palavras, com jogo etimológico, que permite ao visitante brincar com a criação das palavras, conhecendo suas origens e significados, entre outras curiosidades do andar.
No auditório, no terceiro andar, um filme de dez minutos sobre as origens da Língua Portuguesa falada no Brasil é projetado para a plateia. Na Praça da Língua, espécie de “planetário da língua”
composto por imagens projetadas e áudio; palavras, frases e poemas são oferecidos de forma lúdica. Impossível ficar ali sem se jogar de alma nesse mundo mágico. A curadoria da Praça é de José Miguel Wisnik e Arthur Nestrovski.
O primeiro andar, ainda vazio, promete a partir de 16 de abril uma exposição temporária sobre o escritor baiano Jorge Amado.
O relógio, pontualmente às 18h, informa que o Museu será fechado. Dele pode-se sair um pouco mais culto; da Estação, nostálgico.
Retornar para casa acontece da mesma forma como se remeteu ao destino, como nos filmes de antigamente, em que para voltar a fita, ao final, bastava apertar um botão e observar todo o filme retroceder ao seu início.
Finalizando o passeio, já em horário do jantar, opta-se por restaurante japonês. Afinal é Sexta-Feira da Paixão. Mas comida japonesa não é sacrifício para quem aprecia peixe cru! Assim como, a Estação da Luz não é abstinência só porque se parou de viajar de trem!
A noite da Sexta-Feira da Paixão será de total silêncio; o Sábado de Aleluia, festivo como sempre e, o Domingo de Páscoa, com troca de ovos de chocolate.
Lucelena Maia
São João da Boa Vista/SP
12 de abril de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
Dia do Circo

imagem do google
Dia do Circo
lucelena maia
Respeitável público!
O circo chegou na cidade
para alegrar a toda gente
chegou trazendo felicidade
desejando ver o povo contente
Tem
palhaço e equilibrista
acrobata e contorcionista
mágico e trapezista
picadeiro sem animais
atrações imperdíveis e mais...
Hoje tem marmelada?
Tem sim senhor...
Tem apresentação da cultura popular
com performances inteligentes
espetáculos bem diferentes
fazendo o circo perpetuar...
Senhoras e senhores...
Apresentamos
Instituição fomentadora do riso
que é a arte da intelectualidade
e
para fazerem rir de verdade
os homens do circo,
improvisam...
27/03/2012
SJBoa Vista/SP
quinta-feira, 8 de março de 2012
Dia Internacional da Mulher

imagem do google
"(...)Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não estará mais presente
Com seu sorriso e suas tramas.
Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente
e nos fazer beber o fel da dúvida.
(...)Transforme-se em fera sem
perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais
perfeita de toda a criação inumerável.
Vinicius de Moraes
trechos de "Receita de Mulher"
quarta-feira, 7 de março de 2012
Mulher reinventada

imagem do google
Mulher reinventada
Ao sabor de muitos comentários, anúncios em jornais, flores, ligações, jantares, palestras, reflexões, debates e crônicas temáticas pelo dia internacional da mulher, fica difícil definir se houve mudança, positiva e significativa, na vida desse ser feminino que tem história a contar pela imposição das injustiças a ela praticadas, por séculos, em todo o mundo.
É certo que a mulher tenha se projetado no campo profissional, com cargos importantes e, também, se sobrecarregado de responsabilidades no lar, enfrentando, sozinha, responsabilidades
emergenciais tidas anteriormente como de homens: troca de lâmpada, botijão de gás, conserto de torneira, de resistência do chuveiro, troca de pneu do carro etc. Mas, para isso existem os “pereirões” de plantão, haja vista esse tipo de informação em novela.
Fala-se aqui da mulher reinventada.
Aquela que é mantenedora do filho e do lar, sem pai conhecido, porque optou pela gravidez independente.
E, aquela que é mantenedora da família, sem outra opção, por não ter companheiro que a ajude.
A mulher reinventou-se “poderosa” e “independente”, numa enxurrada de suor, dedicação máxima e esgotamento, por objetivo e determinação, sem importar-se em enfrentar o mundo dos sem privilégio.
A beleza da feminilidade está ligada na alta tensão da correria, nos dias atuais, sem tempo para silêncio, pudor, quietude e romantismo. Abaixo as calorias e a submissão, dizem elas.
Haja saúde e disposição para as mulheres reinventadas.
08 de março de 2012
Lucelena Maia
terça-feira, 6 de março de 2012
Cata-vento

Depois de algum tempo sem estar no ar, retorno, com o poema
...
Cata-vento
Leva-me pro vento,
Memória, me leva...
Pra linha do tempo,
Lá eu tenho história,
Reservas da vida
Que não se traduz,
Acervo somado
A tanta emoção:
Escrita co´os olhos,
Firmada co´a alma
Vivida a dois.
Leva-me por vento,
Memória, me leva...
Ao túnel do tempo,
Urgência que eu tenho,
De ver meu enredo,
Mudar os mistérios,
Os vícios inglórios,
Alegre avental,
Fechado no peito,
Aberto ao despeito,
Velado no armário.
Leva-me pro vento,
Memória, me leva...
Cruzando o silêncio,
Gritando meus medos,
Soprando-os à sorte,
E pondo-me inteira,
Segura e fecunda,
No leito da estrada,
Ousando pegadas
Escritas co´os olhos,
Firmadas co´a alma.
(do livro de poemas: Põe-te de pé, poeta!)
...
Cata-vento
Leva-me pro vento,
Memória, me leva...
Pra linha do tempo,
Lá eu tenho história,
Reservas da vida
Que não se traduz,
Acervo somado
A tanta emoção:
Escrita co´os olhos,
Firmada co´a alma
Vivida a dois.
Leva-me por vento,
Memória, me leva...
Ao túnel do tempo,
Urgência que eu tenho,
De ver meu enredo,
Mudar os mistérios,
Os vícios inglórios,
Alegre avental,
Fechado no peito,
Aberto ao despeito,
Velado no armário.
Leva-me pro vento,
Memória, me leva...
Cruzando o silêncio,
Gritando meus medos,
Soprando-os à sorte,
E pondo-me inteira,
Segura e fecunda,
No leito da estrada,
Ousando pegadas
Escritas co´os olhos,
Firmadas co´a alma.
(do livro de poemas: Põe-te de pé, poeta!)
domingo, 5 de junho de 2011

coordenação de Lucelena Maia e Neusa Menezes
LANÇAMENTO DO ÀLBUM DE FIGURINHAS “LINHA DO TEMPO" NO THEATRO MUNICIPAL
Dia 15 de junho (quarta-feira) – 20h30 – ACADEMIA DE LETRAS e ACE (Entrada Franca)
Lançamento do "Álbum de Figurinhas - Linha do Tempo" contando a história cultural, sócio-política e comercial de São João da Boa Vista.
Uma parceria da Academia de Letras e ACE - Associação Comercial e Empresarial, em comemoração ao centenário da ACE, cinquentenário da Elfusa, aos quarenta anos da fundação da Academia de Letras e os 190 anos do município de São João da Boa Vista.
O evento contará com a apresentação da Camerata de Cordas, das cantoras: Walgra, Silvia Ferrante, Neusa Menezes, da pianista Vânia Noronha, do cantor Alexandre Figueiredo, do Grupo Samba de Roda, além da Dança Folclórica do grupo Mancha Afroria.
O álbum será vendido no local por R$ 10,00.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Onde estarão as estrelas...

imagem do google
Onde estarão as estrelas...
lucelena maia
...Se eu as sinto no côncavo de meu corpo,
espalhadas
repousando nas pupilas de meus olhos,
mosqueadas
fazendo-me enxergar além das algemas
apertadas.
... Se eu as sinto presentes no céu de minha boca,
esculturadas
temperando com saliva todas as palavras
desajustadas
que teimam sair, de meus indóceis lábios,
amotinadas.
... Se eu as sinto como agasalho à fria pele
acinzentada
aquecendo em mim, muito além da superfície
macerada
dando-me luz para que eu busque as belezas
espalhadas
... Se eu as sinto penetrando em minha alma
fadigada
transformando-a pândega, calma e
aliviada.
Onde estarão as estrelas, se não, dentro de mim,
guardadas?
06/05/2011
SJBoa Vista/SP
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Um "dedo-de-prosa"

"Nada como sair da cidade e ir apoitar na fazenda,
sentir a natureza, as pessoas do campo e deixar a
inspiração falar por nós..."
Um "dedo-de-prosa"
lucelena maia
Agrada-me dizer do homem do campo
esse simplório contador de "causo"
sob o sol ou ante a um pirilampo,
arrebata de quem o ouve, aplauso...
Observá-lo e aos seus sonhos deitados
na modesta casa de pau-a-pique,
fumando cigarro - fumo picado -
soprando a fumaça para o alambique...
Com palha nos lábios, face sorrindo
ele, que tem vida quase banal
agradece a Deus, pelo dia findo.
Eu! Pela simplicidade rural
Elevadas as mãos com fugacidade
num "dedo-de-prosa" muito tranquilo
carrega na voz arrastada idade
e nos "causos" que conta, rico estilo
Seus olhos, por vezes, pescam do céu
as estrelas mais brilhantes que vêem
direcionando-as com alma fiél
para os amigos que, como ele, crêem...
"...A vida, como presente divino,
e porque é, nós devemos respeitá-la
e ao próximo, também ao destino".
Assim ele encerra sua mansa fala.
1/5/2011
São João da Boa Vista
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