segunda-feira, 25 de maio de 2009

Solidão


imagem do Google


Solidão

Ah, solidão! Intocável solidão...
Sinto-a próxima, a instigar-me,
Desejando confundir minha razão,
Pronta a investigar meu silêncio,
Ocupar-se do meu pensamento,
Tomar de mim as boas lembranças,
E desarrumar a paz em meu coração,
Com faxina em reservados cantos,
Para que eu caia em pranto.
Testa-me na desolação,
Mas vou driblá-la, subserviente
Embarcando nesta viagem,
De vida, recordações...
... do antes, do durante, e o depois...
Mas devo informá-la: já sei,
Na vida, tudo passa,
A alegria, a tristeza, o ódio, a mágoa,
Também o bom momento passa.
Na pele, fica a energia do sol;
Nos olhos, o brilho das estrelas;
Fica a lua, linda e livre, em quatro fases.
E, eu, apesar de triste, fico assim como você...
Intocável.


lucelena maia

do livro de poemas

"Põe-te de pé, poeta!"

sexta-feira, 15 de maio de 2009

O roçar do outono


imagem do google

O roçar do outono
lucelena maia

Junto ao vento
na fria manhã outonal
sobre rústico peitoril da janela
cortina esvoaça
num vai e vem sem destino
deixando entrar
folhas secas
a se acomodarem no chão...

O vento, mais uma vez,
ao outono se abraça,
as folhas secas, antes,
sossegadas,
levitam e se vão
rumo ao firmamento,
livres de quaisquer anseios,
como bolhas de sabão
que encantam os olhos
brindam a estação,
depois
janelas elas adentram
indo acomodarem-se no chão...

São João da Boa Vista/SP
maio/2009




sábado, 9 de maio de 2009

O que se pretende preservar?



O que se pretende preservar?

Lucelena Maia – escritora e poeta

Analisando com cuidado os relacionamentos, percebe-se que se esfacelam com o tempo.
Na forma figurativa, por exposição exagerada ao sol, porque a madrugada é fria, pelo indiferente lusco-fusco do entardecer. Na verdade e talvez, por serem secundários perante as tantas prioridades que a vida impõe no dia-a-dia e, ainda, recordando a aurora da vida, porque os sonhos eram muitos e as mazelas desconhecidas, a cautela apenas um adereço sem importância.
Quem sabe, se esfacelem pelo excesso de respeito a individualidade de cada um!
DNA é único e intransferível. É prova absoluta de independência do ser humano em relação ao outro, exceto com pai e mãe, o que não os favorece para o bom relacionamento com seu filho, é preciso conviver para fertilizar amor e aguardar que os anos digam do caráter.
A palavra complexidade tem dono; o homem, independente de classe social, raça ou instrução escolar.
Apesar das confusões interiores que permeiam o ser humano, em certo momento da vida tudo fica claro e simples, nem sempre fácil, mas oportuno para reconhecer o que se perdeu por ser rude e o que ainda pode-se reconquistar num relacionamento.
Pessoas despretensiosas têm maior facilidade para enxergar o azul do céu, onde estrelas brilham e a lua se mostra linda e livre, em qualquer fase.
Pessoas despojadas são capazes de opinar sobre uma obra de arte, exporem-se, ao mesmo tempo ouvir com disponibilidade de aprendizado o que diz o crítico.
Pessoa desprevenida facilmente é levada a acreditar naquilo que lhe sopram ao ouvido, mergulhando num mundo imaginário em que reina absoluto o propósito alheio.
Nada a preservar quando a intenção interior é ferir. Esquecidas, impróprias e inúteis tornam-se as palavras respeito e diálogo. No entanto todo ato pode ser revisto, desde que desfeitas as malícias, as intenções duvidosas, desde que as mãos estejam limpas pelas águas cristalinas do coração e nulos sejam os mecanismos de oportunismo.
Tornar-se uma pessoa melhor é observar mais a si do que ao outro, cuidar de revisar os momentos da vida vividos, e ponderar; como tenho alimentado meus sentimentos!
A cada um é dado o direito de expiar os seus atos.
Há tempo de plantar e tempo de colher!

Lucelena Maia
São João da Boa Vista/SP
09/05/2009

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Não basta ser mãe...


Maratona Radical Bike de Mogi Mirim/SP

Não basta ser mãe…

Eu estava junto, torci, ralei, me empoeirei, empolguei, transpirei e aplaudi quando na linha de chegada meu ídolo, quase atleta profissional, apareceu sobre a bicicleta, após quarenta e seis quilômetros, duas longas horas esgotantes de pedaladas, para romper a primeira Maratona Radical Bike de 2009 na cidade de Mogi Mirim/SP.
Ele não se classificou entre os cinco primeiros na classificação geral, nem foi o primeiro na sua categoria, mas manteve média mínima de 20km e máxima de 45km/h, concluindo com excelente proveito esse desafio ao qual se propôs e que dei o nome de tranquilo desempenho.
A idéia de ser um mountain biker foi dele, o restante ficou por conta da mãe (eu) e do pai, aliás, principalmente do pai, que o equipou para que ganhasse as trilhas da Serra da Mantiqueira na região de São João da Boa Vista, próxima a divisa do sul de Minas Gerais.
O objetivo inicial era vê-lo pedalando com outros jovens, quando filiado ao Mantiqueira Bikers, para apreciar de perto a natureza, as cachoeiras, a vista dos mirantes deslumbrantes, os animais silvestres, plantas variadas e logo cedo assistisse ao crepúsculo matinal na cidade dos crepúsculos maravilhosos, no entanto os desafios chegaram rápido e sem que nos déssemos conta estava nosso filho nas competições de Down Hill, Up Hill, Cross-country, Maratona Radical e cicloturismo.
Ele treina muito, entre uma maratona e outra, usa vestimentas corretas, equipamentos básicos de segurança com suporte adequado, faz trilhas radicais, estradas de chão batido, alimenta-se bem, cuida de revisar a bike e alonga-se antes de pedalar.
Há quase dois anos sou parte de sua equipe de apoio.
É, não basta ser mãe é preciso participar de seus esportes radicais.

Lucelena Maia
S. João da Boa Vista/SP
03/05/2009

terça-feira, 5 de maio de 2009

Mãe


foto lucelena e felipe

Mãe

Cuida do ninho
alimenta o filhote
cantarola em seu leito
adormece-o no peito
ou sobre o decote...

Mãe,
olhos de águia
cuidadosa e quieta
atenta e esperta
observa o voo
que um dia ensinou...


Mãe
é também lamparina,
na noite escura,
em cada esquina,
na madrugada,
um anjo que guia...


Mãe
faz laços e laços
de afeto, carinho, amor
e cuidados (com os filhos)
para quando em
tempos escassos,
na sua ausência,
entrelaçada a esses laços,
ela seja eterna presença...

lucelena maia
São João da Boa Vista/SP
maio/2009

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Eu queria escrever...


Eu queria escrever...
lucelena maia


...Um poema que afrontasse
a minha discrição,
saísse das entranhas
como um filho herege
a devorar a passividade
dessa que o descreve.

...Um poema flecha,
certeiro nos versos
a derrubar alvos.

... Tivesse linhas indecifráveis
ao tirano
e compreenssiveis
ao humano.

... Um poema forte,
direto na boca
da fome,
da tristeza,
da amargura,
da incerteza,
concluindo-se proeza.

...Que fosse sem regras,
versos sem pregas,
solto e real
como eu o pressinto.

...Um desabafo de improviso
sem que para isso
eu perdesse a razão ou o juízo.

Eu queria
ver-me ao avesso
cuspindo o que penso
na cara do mundo
indiferente a opiniões...

...Mas veja o que ocorre,
foge de mim o afronto
por certo este é bronco
ou está ele de porre!

lucelena maia
S.J. da Boa Vista/SP
29 de abril - 2009

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Livros - A Massai Branca e Retorno em Barsaloi de Corinne Hofmann

Corinne e Napirai


Leitura rápida, nada clássica, mas prazerosa por ser quase um documentário.

Assim foi a minha leitura nesse final de semana prolongado, em que resolvi ficar mais tempo em casa e ler "A Massai Branca" e "O Retorno em Barsaloi" de Corinne Hofmann, uma empresária suiça na África Oriental.

Um livro complementa o outro.

O primeiro fala da paixão avassaladora de uma suiça de 26 anos por um guerreiro Samburu, do Quênia, que a faz dispensar o namorado depois de uma excursão que fizeram aquele país e retornar para viver um grande amor com o guerreiro de corpo quase nu, em sua tribo massai, onde a circuncisão feminina é apenas um dos extravagantes costumes. A luta por água e comida se faz cotidiana, a moradia não passa de uma cabana feita de palha e estrume de vaca. Comunicação entre o casal precária, em que um não fala a língua do outro. Arranham parco inglês.

O amor tem sua linguagem própria, dizem os românticos...

O tempo passa. Durante esses cinco anos, Corinne contrai malária várias vezes que a leva quase a morte quando grávida e também hepatite, além de extrema magreza por se alimentar sempre muito mal. Ela se vê confusa, indecisa em voltar para Suiça alguns meses após seu bebe nascer. Ela já havia ido e vindo outras vezes, antes de conseguir permanência definitiva no país e antes de ter a filha, mas ficava no máximo 40 dias afastada de seu grande amor e do verdadeiro lar, como ela classificava Barsaloi.

Sendo casada com um Samburu era preciso ele autorizar sua saída do país, e ele faz achando que por algum tempo, como das outras vezes, até Corinne se recuperar do stress, em parte causado por ele, extremamente ciumento e ultimamente bebendo, também. Mas Corinne estava triste e desiludida com seu amor, já não o reconhecia, algumas vezes ele duvidava ser o pai de Napirai e isso fez mudar o amor que ela sentia por ele.

Corinne achava agora que a educação da filha devia ser na civilização. A menina já estava com um ano e meio. Nunca sentira falta da Suiça como sentia, só pensava em ir embora, porém sabia que jamais deixaria de ajudar aquela gente tão necessitada em Barsaloi, era seu pensamento.

Assim ela partiu, para não mais voltar ao Quênia.

Corinne continuou, mesmo a distância e sem ter contato com seu ex-marido massai, a ajudar a todos, principalmente depois do lançamento do livro que lhe rendeu 6 milhões de vendas por todo o mundo.

Quatorze anos depois, com o livro publicado e a filmagem da história em andamento, ela retorna ao Quênia e conta sua experiência no livro "Reencontro em Barsaloi".

O texto é rápido e cheio de emoções, pois o medo de não ser bem recebida na tribo, que a deixava insegura antes de ir, acabou assim que colocou os pés naquele país. Foi recebida com muito carinho e respeito por todos que a conheciam e isso a levou a reviver com certa nostalgia a história passada. Mas o passado já não se encaixava no presente, até porque Napirai, com 15 anos, não manifestava vontade de conhecer sua família queniana. Era uma jovem suiça, apesar da cor. Para eles, no Quênia, ela disse que a menina estava estudando, numa outra oportunidade iria vê-los, porém eu busquei saber, pela internet, hj ela tem 18 anos e ainda não foi ver seus parentes africanos.

O filme já esteve em cartaz, em 2005, e deu a atriz principal, Nina Hoss, no papel de Corinne, algum prêmio importante na Alemanha, onde o filme foi produzido.

A leitura a principio não me agradou pela paixão entre pessoas tão diferentes. Ela de classe média alta e ele um samburu sem instrução escolar (analfabeto), principalmente pela diferença gritante de cultura. Porém no desenrolar da história me apeguei aos costumes daquela gente e transportei meus olhos para as dificuldades daquelas pessoas humildes em meio ao nada e ainda assim felizes ao modo deles.

Através da ótica de Corinne conheci um pouco mais do Quênia e ela o faz com leveza e consideração.

Enfim, uma história real que merece respeito de quem a lê.



Lucelena Maia
São João da Boa Vista/SP
22/04/2009

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Eu sou...



Eu sou...
lucelena maia

Eu sou o perfume romântico da vida
Eu sou senhora do desvelo inabalável
Sou leve fragrância, no ar, indefinida
Sou esse brilho de estrela, inesgotável

Eu sou o bem-estar da paixão inquietante
Eu sou a lua, cheia de beleza e vaidade
Sou tudo o que persiste por alguns instantes,
Sou também o que segue pela eternidade

Eu sou saudade sem ser ela desventura
Eu sou o tempo em contratempo co'amargura
Sou burburinho cortejando a quietude

Eu sou o homem e a mulher em sintonia
Eu sou dois corpos desnudando a poesia
Sou o pôr-do-sol expressivo em atitude

São João da Boa Vista/SP
abril/2009

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Nada em vão



Nada em Vão
lucelena maia

Assim como tu, também vagueio
num desatino de passos solitários,
inutil caminhar; volto e páro
diante da porta de meus anseios

Ao tempo, que se me diz amigo,
entrego a saudade trazida comigo,
a cada manhã, nessa nova morada

E, aos pés da Serra da Mantiqueira
de pura beleza pr'os meus olhos
ajoelho-me, caro amigo, e oro,
oração de uma forasteira

Que, um dia, pisou esse chão
aprazada em não ficar em vão,
pronta a abrir portas fechadas

São João da Boa Vista/SP - 2009

quarta-feira, 1 de abril de 2009

I Concurso de Redação na Escola de São João da Boa Vista



Lucelena Maia (primeira à esquerda) durante reunião de 2a. feira

Escritora, radicada em São João traz sua experiência de sucesso obtida em Uberlândia


Clovis Vieira
Jornal O Municipio de 1/4/2009

Entidades sanjoanenses preparam projeto de redação para escolas


Reunião ocorrida nesta segunda-feira (30) definiu diversos itens de um projeto que deverá mobilizar alunos das redes pública e particular no segundo semestre deste ano. Trata-se do "Redação na Escola", idealizado pela escritora Lucelena Maia, radicada na cidade desde janeiro de 2007.
Atraindo entidades como Agência de Desenvolvimento, Associação Comercial e Empresarial e Academia de Letras, o projeto pretende "estimular a pesquisa histórica, cultural, científica e de valores junto aos estudantes das escolas da rede pública e privada, de ensino fundamental e médio na cidade de São João", conforme dita o seu regulamento.

Embora o cronograma do projeto não esteja totalmente concluído, trabalhos serão propostos em duas modalidades: desenho e redação e produzidos em sala de aula em cada turno, simultaneamente, em todos os estabelecimentos de ensino.

A poeta Lucelena Maia já adianta que os autores dos melhores trabalhos receberão diploma e o livro que será editado contendo as redações, com direito a noite de autógrafos. A autora pretende oferecer aos participantes "espaço às manifestações do saber, do pesquisar e do interessar-se".

A autora tem a certeza do sucesso pelo interesse demonstrado pelas entidades envolvidas e pela união das forças que cada uma delas representa no município.

(toda a reportagem pode ser lida no http://www.omunicipio.jr.br/ na página educação, do dia 01/4/2009.