segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

É Natal


arte de Angélica T. Almstadter

É Natal...
Com os corações aos céus elevados
Com o sorriso pela paz sublimado
A energia do universo em todos concentrada
Na certeza que nunca seremos cruxificados,
Sigamos cada passo do caminho conscientes
Não estamos livres dos pecados humanos
Imperfeitos somos, mas não somos profanos
Deus está sempre conosco...
Oferencendo Sua eterna bondade e redenção,
pois
Os filhos da terra
são todos irmãos...

Que um novo amanhã aconteça dentro de cada um de nós...

Feliz Natal
Feliz 2010
paz, saúde, amor e luz

São os sinceros votos
Lucelena Maia
Samuel
Felipe

sábado, 12 de dezembro de 2009

Natal



Natal
lucelena maia

Quantas vezes eu desejei outro dezembro:
Imaginei o mês em silêncio,
luzes apagadas para conforto da alma,
frases mudas - sem cartões versejados
anunciando hábito costumeiro.
Eu desejei renascer frente a Jesus,
sentir em meu peito Sua mão luz
a velar-me no altar da vida.
Sob júbilo e confiança
o amor, a paz, a justiça e a esperança
entregues à verdadeira confraternização;
Oferenda e bondade guardadas no abraço.
Eu pediria que fosse o Natal só um pedaço
daquilo que representa a grande saudação:
O filho de Deus presente o ano inteiro
no corpo e na alma de Seus cordeiros
como energia de quem é e deseja o bem
a quem sabiamente aceita o amém!

Feliz Natal
dez/2009

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Dia do Palhaço


imagem do google

Palhaço o que é?

lucelena maia

A maquiagem disfarça
os defeitos no rosto
um rosto sem face
face ao artista disposto...
a mostrar-se bobo
arlequim,
cômico
gracioso
saltimbanco
só para fazer rir.

Palhaço
é artista circense,
mas há quem pense
que é um tolo qualquer...

10/12/2009
São João da Boa Vista/SP

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Silêncio que seiva...


imagem do google

Silêncio que seiva...
lucelena maia

Se o vento sopra pr´o horizonte,
Levando consigo um som de encanto,
Pelas colinas e atrás dos montes,
Escuta. É a poesia chamando-te.

Se o sibilar dos lábios da natureza,
Em prolongado som, vindo co´o vento,
Desabafar dores por entre as veredas,
Escuta. É a poesia reconhecendo-te.

Se os passarinhos felizes pousarem,
Em galhos de uma árvore qualquer,
E, em coro, com a natureza cantarem,
Escuta. É a poesia a beijar-te os pés.

Se entregue a este belo cenário,
Arrefecidos olhos avivarem pra vida,
Escuta. É a voz da tua alma
A dizer-te; teu corpo agora é poesia.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Dubai - Rachaduras no paraíso


imagem do Google

Rachaduras no paraíso

-revista Piauí_33 / junho 2009-

(resumo do artigo de Johann Hari pela escritora e poeta, Lucelena Maia)



O xeque Mohammed bin Rashid Al Maktoum, o soberano de Dubai, vendeu-a ao mundo como a cidade das Mil e Uma Luzes, uma Sangri-lá do Oriente Médio protegida das tempestades de areia que assolam a região.

É abril de 2009 e alguma coisa está mudando no sorriso do xeque Mohammed. Nessa terra do Nunca edificada num extremo do mundo, as rachaduras começam a aparecer. Dubai é uma metafora viva do mundo globalizado neoliberal que pode estar desmoronando.

Entre os guindastes espalhados por toda parte, muitos estão paralisados, como que perdidos no tempo, e há inúmeros canteiros de obras inacabados, num abandono completo.

A canadense Karen Andrews chegou a Dubai quatro anos atrás. O marido tinha conseguido um bom emprego numa multinacional. Assim que o casal aterrissou no emirado, em 2005, as apreensões desapareceram. "Parecia uma Disneylândia para adultos, com o xeque Mohammed no papel de Mickey", relembra. "A vida era fantástica". Não tardou muito e Daniel, o marido de Karen, comprou dois imóveis.

Mas, pela primeira vez na vida, ele se embaralhou nas finanças. Karen começou a estranhar as confusões financeiras do marido. Passado um ano, descobriu que Daniel tinha um tumor maligno no cérebro. "Até então, eu não sabia nada a respeito das leis de Dubai, imaginei que o sistema local deveria ser parecido com o do Canadá, ou de quaquer outra democracia liberal". Ninguém lhe havia contado que em Dubai não existe o conceito falência. Quem se endividar e não tiver como pagar vai para a cadeia.

Em Dubai, quando um funcionário larga o emprego, o empregador tem o dever de comunicar o fato ao seu banco. Caso tenha dívida em aberto, todas suas contas são bloqueadas e ele fica proibido de sair do país. "De repente, nossos cartões de crédito pararam de funcionar. Fomos despejados do nosso apartamento e não tínhamos mais nada". Daniel foi preso no dia do despejo, condenado a seis meses de prisão diante de uma corte que só falava árabe, sem tradução. "Agora estou aqui, sem nada, aguardando que ele saia da prisão", explica a mulher. Karen dorme dentro de um Range Rover há meses, no estacionamento de um dos hóteis mais chiques de Dubai, graças à caridade dos funcionários bengaleses, que não tiveram coragem de expulsá-la.

O caso de Karen não é único. Por toda a cidade existem imigrados dormindo clandestinamente nas dunas de areia, no aeroporto ou no próprio carro. "É preciso entender que em Dubai nada é o que aparenta ser", resume a canadense. "Você é atraído pela idéia de um lugar moderno, mas por trás dessa fachada o que temos é uma ditadura medieval."

Trinta anos atrás, quase toda a área onde se ergue hoje o emirado de Dubai era deserta. Foi quando os ingleses bateram em retirada, a dominavam desde o século XVIII até 1971, Dubai se juntou a seis pequenos estados vizinhos e formaram a federação, os Emirados Árabes Unidos. A retirada britânica coincidiu com a descoberta de generosos lençóis de petróleo na região.

Al Maktoum decidiu fazer o deserto enriquecer. Planejou construir uma cidade que se tornasse o centro do turismo e de serviços financeiros, atraindo dinheiro e profissionais do mundo inteiro. Convidou o mundo a seu paraíso fiscal - e o mundo veio, esmagando os habitantes locais, que agora representam só 5% da população total de Dubai.

Em apenas tres décadas uma cidade inteira surgiu do nada. Um salto do século XVIII para o século XXI em apenas uma geração.

Toda as noites os milhares de peões estrangeiros que constroem Dubai são levados dos canteiros de obras para uma imensidão de concreto, em pleno deserto, distante uma hora da cidade. Ali permanecem isolados. São levados em ônibus fechados, que funcionam como estufas no calor do deserto. São cerca de 300 mil homens que moram amontoados.

Nesse local que fede a esgoto e suor e que foi o primeiro acampamento que visitei, logo fui cercado por moradores, ávidos para desabafar com quem se dispusesse a ouvi-los.

Depois de muito ouvir, indago se o grupo se arrepende de ter vindo. Todos olham para baixo. Depois de um tempo, alguém rompe o silêncio: "Sinto saudade de meu país, da minha família, da minha terra. Aqui, não dá para plantar nada. Só tem petróleo e obras."

Um cidadão inglês que trabalhou no setor de construção me disse: "Ocorrem inúmeros suicídios nos acampamentos e nas obras, mas ninguém quer tocar no assunto. Dizem que foi acidente."

Um estudo da ONG Human Rights Watch revelou que existe um ocultamento da real extensão das mortes causadas pela exposição ao calor, excesso de trabalho e os suicídios.

Na distância, a cintilante silhueta de Dubai se ergue indiferente.

O dia tem sempre a mesma luminosidade artificial, o mesmo piso brilhante, as mesmas grifes de luxo globais. Neles, Dubai se reduz à sua essência: compras e mais compras.

Como se sente o cidadão local diante da ocupação de seu país por estrangeiros? Quando abordados, as mulheres se calam e os homens se ofendem, respondendo secamente que está tudo bem. Concluo que não é prudente sair perguntando essas coisas para dubaienses.

Dubai não é apenas uma cidade vivendo além de seus recursos financeiros. O emirado vive além de seus recursos ecológicos. Dubai bebe o mar. A água dos emirados, dessalinizada em fábricas espalhadas por todo o Golfo, é a mais cara do planeta. Segundo Dr. Raouf, caso a recessão se transforme em depressão, Dubai pode ficar desabastecida. O aquecimento global piora ainda mais a situação. "Estamos construindo todas essas ilhas artificais, mas se o nível do mar subir afunda tudo..."

Na minha última noite no emirado, já a caminho do aeroporto, parei numa pizzaria perdida em meio às autoestradas. Pergunto à moça filipina do balcão se ela gosta do lugar. "Gosto", diz ela, inicialmente. "Pois eu detesto", rebato. Ela concorda e desabafa: "Demorei alguns meses para perceber que tudo aqui é falso. Tudo. As palmeiras são falsas, os contratos de trabalho são falsos, as ilhas são falsas, os sorrisos são falsos. Dubai é como uma miragem. Você acha que avistou água, mas quando chega perto vê que é só areia."



( segundo a reportagem, alguns nomes nesse artigo foram modificados)

* O artigo é bem mais extenso, mas cuidei da reportagem de Johann Hari, resumindo-a, sem furtar ao leitor entender o que é, de fato, esse paraíso, chamado Dubai. ( Lucelena Maia)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Corredor da vida


tela- Fádua Tannús

Corredor da Vida
lucelena maia

No corredor da vida pisarei o chão
Tateando sozinha os primeiros passos
Sem pelar-me de medo e inquietação
Olharei à frente sacudindo os braços.

Será o futuro que tentarei alcançar;
As estações, para início de viagem,
E, cada uma delas, haverá de mostrar-me
A linha do tempo sem maquiagem.

A primavera florida, em esperança
É tudo que precisarei na partida.
Embarcar com fé e confiança
Para no verão não me sentir perdida.

Como as folhas que no outono caem,
Eu me deixarei, na vida, ceifar,
Amadurecida no bem e mal-me-querem
Renascerei inverno, de um difícil brotar...

Na chegada, saberão da mecenas,
Protetora da própria história
Que um dia começou pequena,
Mas grandiosamente fez a trajetória.

São João da Boa Vista/SP
19/11/2009

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Sarau Lítero-Musical



Eu declamarei: Poética - Manuel Bandeira


Poética
Manuel Bandeira

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare


— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Planar


Planar
lucelena maia

Voar, voar, experimentar a juventude,
Fustigar cada segundo de liberdade...
Num engenhoso desafio de mocidade,
Ao abrir as asas, ignora a altitude.

Do alto, olha a vida, com ousadia,
Sente-se nuvem, sol, terra e ar;
Dona da natureza, soberana a reinar,
Sobrevoa o mundo, sua alforria.

Corajosamente, vôos rasantes, tenta,
Sem temor, em livre queda se lança,
E a vaidade jamais a atormenta.

Jovem águia, testando se conhecer,
Ousa ir aos confins da esperança...
Voar, voar, subir, subir, amadurecer...

(do livro - Põe-te de pé, poeta!)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Poema para Mariana


foto Mariana no Kart in em 1/11/2009

Mariana...

...pequena criança.

Na vida, nada tu sabes dos porquês

Mas reservada inteligência te corteja

Abraça-te, também, a esperteza

Não ignorem de ti o estilo

Delicada menina, sob sigilo

Adormece na tua alma tudo o que vês...



Da sabedoria,

Lakshmi é deusa indiana

Palas Athenas, grega,

Tu, astuta menina recatada

De personalidade marcante;

Mariana

Teu nome é herança

E se faz em ti temperança.



Menina linda,

Sem excessos

Sem manhas

Sem firulas

A mais nova criatura

A habitar nossos corações...



lucelena maia

domingo, 8 de novembro de 2009

Museu do Futebol no Estádio do Pacaembu


foto da família no Estádio do Pacaembu

Aproveitando a estada em São Paulo, no feriado de 02 de novembro, resolvemos, no domingo, ir ao museu do futebol no Pacaembu.

O espaço conta a história do esporte mais popular do País por meio de elementos audiovisuais numa interatividade fascinante com o visitante.

Segue-se uma trajetória de emoção, momentos históricos e diversão.

Entre uma sala e outra, de repente, o som ensurdecedor da torcida, com imagens de arquibancadas lotadas, torcedores eufóricos impulsionando seu time para o gol ou comemorando-o.
Nas imagens alternadas, era como se estivéssemos dentro do Estádio barulhento, com a reprodução de gritos reais das maiores torcidas brasileiras.

Sem demagogia, o coração pulsou mais forte, sensação de que fazíamos parte real de tudo o que víamos.

O museu foi construído embaixo da arquibancada próxima a entrada principal do Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, mais conhecido como Pacaembu.

São três andares ocupados pelo Museu do Futebol com percurso pela Sala dos clubes; Pé na bola; Sala das torcidas; Sala dos jogadores; Sala dos gols; Sala das origens; Sala dos heróis; reto de passagem, a copa de 50; Sala das copas do mundo; Sala dos altares (é a sala dedicada a Garrincha e Pelé); Sala da dança do futebol; Labirinto das curiosidades; Sala das ciências; Sala Pacaembu (última parada do percurso, espaço dedicado ao estádio do Pacaembu onde pudemos além de ver o estádio, fotografar). Em todas as outras salas é proibido mascar chiclete, comer qualquer alimento ou fotografar.

Ao final visitamos a loja de suvenir e tomamos uma saboroso café no “ Café do torcedor”.

Eu, que nem sou tão apaixonada por futebol, amei o passeio. Foi uma experiência incrível.

É preciso parabenizar os idealizadores e patrocinadores deste projeto. Riquíssimo em detalhes e informações que permitem aos visitantes entenderem como o futebol, um esporte inglês, de elite e branco, aos poucos ganhou novos traços e se tornou brasileiro, popular e mestiço, como a própria cultura brasileira.
lucelena maia
01/11/2009