sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Encontro marcado



Encontro marcado

Lucelena Maia


Nem ontem

Nem amanhã

Hoje é o nosso encontro

Com passagem de ida

Porta aberta

Romance

Encanto


Penso no que possa acontecer

Você preencher-me

Com sorrisos

Gestos

Sexo

Carinho

E depois?

Quando eu acordar

E nada restar

Apenas o ontem

Como juntar os pedaços de mim!


Ainda assim...

Será que arrisco

Me arrumo

Faço-me de forte

Bebo alguns goles

E esqueço o depois?

Ou,

Tomo banho

Coloco pijama

Estalo pipoca

Ligo a tv

E esqueço você!

set/2001
Uberlândia/MG

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Serão, tolices!



Serão, tolices!
lucelena maia

...O que há em mim e tu não vês,
Apesar disso, tanto, tu procuras
Como a um clássico livro de leitura
Que folheias mil vezes antes de ler!

Ouça, vou dizer-te, amado,
Nas páginas de um livro há relatos,
Como numa relação existem fatos,
Desobrigam-se de serem revelados.

Por isso não furte de nós a felicidade
E tudo o que vivemos com candura
Nem te faças homem de alma dura,
Alimentando na relação dubiedade

Sinta o frescor, no corpo, tatuado,
Por infindos beijos, mil abraços,
Na pele suada, alinhave de traços
Em lençóis de seda arrematados.

Hoje, para nós, é fugaz presente
Tão precioso, quanto irradiante
Bem-usado, faz-nos diamantes,
Se não, dois tolos, adolescentes.

jan/2009

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Quem sabe...


imagem do google

Quem sabe...
lucelena maia

Quem sabe, se o orvalho que amanhece
Nos galhos dos meus ciprestes
Beijasse os lábios da terra seca
E lhe umedecesse o rosto agreste;


Quem sabe, se o sol que desponta dourado,
Como um chafariz, a jorrar vida,
Por suas gotas de alimento farto,
Saciasse a sede dos desejos mudos;


Quem sabe, se o sereno fosse, para a flor,
O início do afago, em fino trato,
E, no canteiro florido do amor,
Eu, um cipreste, a ornamentá-lo.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Aconteceu, mais ou menos, assim...







Eu saí de Uberlândia/MG em janeiro de 2007, há exatamente dois anos, e foi impossível despedir-me da cidade sem escrever a experiência dos dezoito anos ali vividos.


Hoje, recordo o Triângulo Mineiro relendo o texto que escrevi e postando-o para você também o ler.

Aconteceu, mais ou menos, assim...
lucelena maia

Curiosos olhos ora na estrada ora na vegetação se perdiam.
Da janela do carro descobrindo tudo que se me apresentava, eu seguia...
Era fevereiro de 1989
O balanço de árvores não muito altas e de galhos retorcidos eu admirava.
O corpo sacolejava, na estrada esburacada e perigosa, misturando meus sentimentos.
Da janela do carro meus olhos se voltavam para dentro
Em meu interior percorria um trem barulhento, carregando consigo um baú de pensamentos.
O cerrado vislumbrado por meus olhos hipnotizava-me com seus buritis bem verdes.
De repente, plantação rastejante e um ipê amarelo logo à frente.
No carro, silêncio, apreensão e sonho crescente
Prosseguir era preciso...
Para São Paulo eu devia boa parte de meu enredo
Em Minas, continuaria a escrevê-lo.
No portal do cerrado eu desembarcaria cheia de expectativa,
Em Uberlândia viveria dezoito anos de boas amizades e grandes feitos.
Tornar-me-ia escritora e poeta, como o pôr-do-sol em tarde amena,
Que se deita dourado e nos leva a sonhos.
Assim aconteceu comigo...
Desabrochei do umbigo,
Falei com alma em cada linha de meus escritos
Ingressei ao IAT - por convite da escritora Martha Pannunzio
A quem eu reverencio agradecida.
Augusta, nossa sintonia foi como o frescor da chuva amenizando o verão. Amizade que jamais correrá na contramão.
Liberace, simpatia é teu nome. Guerreira mulher. Admiro sua entrega e dedicação.
Janine, aos poucos eu fui conhecendo... Bom trabalho juntas desenvolvemos.
Vecy, Ferreira, Elza, Zé Carlos, Bilá, Creusa, Adriana, Nininha Rocha, Érica Montero e tantos outros escreveram seus nomes em meu pequeno mundo, que tronou-se grande em aprendizado e, em felicidade, profundo.
Aos amigos e patrocinadores da cultura, terna gratidão...
Nathan, amigo virtual que se tornou real. Poetaço, jamais, desfeitos serão nossos laços.
Para Antonio Augusto deixo a extensão de meus braços.
Agradecida, sou, ao Professor Valdemar Firmino pelo belo presente, a mim, oferecido;
sento-me hoje na cadeira XXXIX da Academia Leonística Mineira e Brasiliense de Letras,
Para meu orgulho e deleite, Guimarães Rosa é o patrono.
Uberlândia,
Deixo meu nome escrito nos jornais, no IEFOM, no IAT, na ALMBL e na lembrança dos anos aqui vividos...
Carrego comigo além dos amigos, bons anos colhidos e a expressão UAI
Que conservarei nos lábios com a mesma naturalidade com que pronuncio a palavra pai...

Volto para minha terra natal, São Paulo,
Mas num demora retorno em visita,
Haja vista escrevo um romance que se passa na região.
É claro, o lançamento, aqui, faço questão...

Fica desde já registrado meu agradecimento a esta terra abençoada,
A todos que um dia cruzaram meu caminho.

Era árvore que faltava para me completar? Em Uberlândia plantei.
Era filho? Felipe tem quatorze anos e é lindo...
Faltava escrever um livro? Aqui aconteceu... Um Alvo Calculado e Sombras de Uma Profecia ganharam o mundo,
Assim... Como eu.


lucelena maia
escritora e poeta
jan/2007
Uberlândia/MG

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Caminho


Ofereço "Caminho" a todos que acompanham esse blog. Um poema de bons fluídos para 2009, só depende de nós...




imagem do google
Caminho!
lucelena maia

Que no caminho eu me perca descalça,
De caminhar, eu me vergue cansada...
Sem fala, silencie a carência da alma,
Do silêncio no peito, eu resgate a oração
Desfaça-me em voz, dizendo à sorte:
- Desconheço acaso ou predestinação.
Caio, levanto e sigo;
Ganho, perco e digo:
- A vida oferece a estrada,
mas as pegadas sou eu...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

poetrix




O Poetrix é um poema composto de título e uma estrofe de três versos (terceto) com um máximo de trinta sílabas métricas .

Eu, Teca, Prenda e Sandra(amigas poetas) resolvemos brincar com nossos poetrix, dando sentido a eles quando ligados um ao outro.

A esse tipo de criação é dado o nome de duplix ou triplix, dependendo do número de poetas.





Be-a-bá / Partitura / Notas

Prateleira sem livros / vida sem música / Notas falsas/
desconhece letrados amigos / fica vazio o coração / sairam da pauta/
e fiéis companheiros / sem companhia / sem nada tocar.

Lucelena Maia // TecaMiranda // Olga Matos



Be-a-bá / so letra ando / O português

Prateleira sem livros / Cobertas de poeira / causa alergia
desconhece letrados amigos / ignorando a cultura / sobrevive da esperança
e fiéis companheiros. / do dia-a-dia / tentando entender

lucelena maia // Sandra Mamede // TecaMiranda

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Amigos...



Amigos,

As lindas flores primaveris, dessa época do ano, em clima desprendido e tropical, se despediram do Natal e, em camêra lenta, numa pequena pausa aos nossos olhos, abriram as cortinas do palco de dezembro para a costumeira mas não menos emotiva confraternização anual, em que renascemos e fazemos reviver as lembranças por todos que amamos, embriagados de fragilidade, entregues à mais profunda reflexão na esperança em ver a paz no mundo, preocupados em saber alimentados e saudáveis nossos irmãos...


O futuro, então, despertado pelos fogos, anuncia expectativa para um ano novo melhor, a princípio desfilando pela passarela dos nossos anseios, depois no dia-a-dia corriqueiro.


Que assim seja, que 2009 nos traga não só esperanças mas concretude dos esforços para que os sonhos se tornem reais. Traga também saúde, paz, harmonia, amor e novos sonhos...

Um forte abraço para vocês que estiveram comigo durante horas, dias e meses desse ano que se finda.

Obrigada pela companhia...


Fantástico 2009
lucelena maia

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Natal



Natal
lucelena maia

Quantas vezes eu desejei um outro dezembro.
Eu imaginei todo o mês, em silêncio,
Luzes apagadas para conforto da alma
Frases mudas, sem cartões versejados:
Anunciando hábito costumeiro.
Ah! Eu desejei renascer de verdade em Jesus
Cheguei avistá-lo morrer, por mim, na cruz
Ao acompanhar a via-crúcis em memória.

A árvore, os enfeites e muitos presentes
Fazem cantiga dourada em meu peito
Nas mãos seguro uma luz que nunca se apaga
Para dizer àqueles que juntos de Jesus estão;
Eu os amo completamente com meu coração
Velo por todos e por mim no altar da vida
Rezando ao modo que acredito, e digo
Dos sentimentos que manifesto;
Amor, paz, justiça, esperança e alegria.

Quanto à verdadeira confraternização,
Oferenda de bondade guardada no abraço,
Seja o Natal só um pedaço
Daquilo que representa a grandeza da saudação
E possa, Ele, ser presenciado o ano inteiro
Através da energia de quem deseja o bem
A quem detém, no saber, o sinal do amém!

Feliz Natal
dez/2008

(poema escrito em dez/2004)

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Ecos de nós...




Ecos de nós...
lucelena maia

Eu ouço-te por entre o verde montanhoso,
Por entre as folhas espalhadas na esperança,
Mas não sinto teu olhar deserto, nem choroso,
Buscar pelos confins do mundo as lembranças.

Eu ouço teu corpo sendo levado pelo vento
Em rápida passagem, no piscar do ontem
Sem que tu estejas vivenciando lamentos
Ou escalando dissabores, pelos montes

Eu vejo as estrelas em um azul sem fim
A lua, minguante, mais que reservada,
Também pássaros nos céus dos querubins,
Só, não a mim, esvaida estou na enseada

Ah! Os nossos ecos, no silêncio da noite
Ecoam alto, presos a um som tristonho
De quem desencontrou-se num pernoite
Solto na estrada, amealhando sonhos.
dez/2008


terça-feira, 9 de dezembro de 2008

2009, como viveremos






Esta é a capa da revista Atua de dezembro de 2008, com tiragem trimestral, criação e realização da ACE - Associação comercial e empresarial de São João da Boa Vista, por sua presidente Ana Claudia Z.C. Ribeiro Santos, também a amiga jornalista Heloise Amorim, entre outros profissionais.

Atua completa um ano e segundo Ana Claudia, encontraram muitas dificuldades para editá-la, mas venceram cada obstáculo graças ao esforço e dedicação dos envolvidos. Há novidades para a próxima edição com objetivo de aumentar a interatividade entre a revista e o leitor. Você saberá como lendo a carta ao leitor, assinada pela presidente, na página 4 da revista.

Convidada a escrever para essa edição, eu colaborei com o texto;

2009, como viveremos

Eu queria mergulhar nos olhos de meus amigos, familiares e aquelas pessoas com quem cruzo pelas ruas, semblantes preocupados, para mostrar-lhes caminhos floridos na manhã de cada dia, ser-lhes o norte para este ano que já se anuncia e desejar-lhes bons sonhos, paz, amor e alegria, mas existe uma pergunta que não cala. 2009, como viveremos?

Apesar de já estarmos batendo à porta do ano novo parece-nos difícil respondê-la com exatidão.

Muita coisa acontecerá ainda este ano e, diga-se de passagem, 2008 tem sido castigado com a crise do mercado imobiliário americano que se espalhou pela economia do mundo todo gerando a crise financeira mundial que temos acompanhado.

Será possível antecipar ou conhecer as tendências do futuro próximo (bem próximo) em nosso país se, em parte, dependemos do controle da crise financeira externa? Parece que a confiança começa a voltar ao sistema de crédito internacional, mas dizem os comentaristas econômicos que devemos torcer para que não aconteça a desaceleração ou recessão, que é assunto grave e quase inevitável.

Estamos sobressaltados (quando digo estamos, refiro-me a você e a mim) e cheios de dúvidas com a instabilidade das bolsas de valores ao redor do mundo e aqui, além da instável taxa de câmbio no Brasil, apesar das medidas tomadas pelo ministério da fazenda com as intervenções do Banco Central.

Queremos um sinal para voltarmos a ser otimistas, coisa de brasileiro cansado da vida dura, de tanto trabalho, das poucas alegrias, mas a realidade é dura, fria e calculista e não aponta um final muito feliz a curto prazo para esta crise mundial, então, sem exageros nos gastos, vamos chegar ao Natal conscientes que devemos colocar a mão no bolso com reservas, sem nos endividarmos. Mas, também, sem deixarmos a crise abalar a tradição de troca de presentes, tão importante como a confraternização, nessa data.

Quanto a 2009, vamos recebê-lo como fizemos anteriormente, com confetes e serpentina pelos salões da cidade ou em casa, na praia, em algum restaurante, entre desconhecidos tão somente, não importa, mas brindando a sua chegada agradecidos pela oportunidade de presenciarmos mais uma vez a virada do ano. Ah! E com todas aquelas superstições, para dar sorte. Não esqueça!

De coração, desejo um feliz Ano Novo para o mundo, para o Brasil e em especial para você, que está lendo este artigo.

Lucelena Maia é escritora e poeta

( esse texto pode ser lido na página 74 da revista)