quarta-feira, 6 de maio de 2009

Não basta ser mãe...


Maratona Radical Bike de Mogi Mirim/SP

Não basta ser mãe…

Eu estava junto, torci, ralei, me empoeirei, empolguei, transpirei e aplaudi quando na linha de chegada meu ídolo, quase atleta profissional, apareceu sobre a bicicleta, após quarenta e seis quilômetros, duas longas horas esgotantes de pedaladas, para romper a primeira Maratona Radical Bike de 2009 na cidade de Mogi Mirim/SP.
Ele não se classificou entre os cinco primeiros na classificação geral, nem foi o primeiro na sua categoria, mas manteve média mínima de 20km e máxima de 45km/h, concluindo com excelente proveito esse desafio ao qual se propôs e que dei o nome de tranquilo desempenho.
A idéia de ser um mountain biker foi dele, o restante ficou por conta da mãe (eu) e do pai, aliás, principalmente do pai, que o equipou para que ganhasse as trilhas da Serra da Mantiqueira na região de São João da Boa Vista, próxima a divisa do sul de Minas Gerais.
O objetivo inicial era vê-lo pedalando com outros jovens, quando filiado ao Mantiqueira Bikers, para apreciar de perto a natureza, as cachoeiras, a vista dos mirantes deslumbrantes, os animais silvestres, plantas variadas e logo cedo assistisse ao crepúsculo matinal na cidade dos crepúsculos maravilhosos, no entanto os desafios chegaram rápido e sem que nos déssemos conta estava nosso filho nas competições de Down Hill, Up Hill, Cross-country, Maratona Radical e cicloturismo.
Ele treina muito, entre uma maratona e outra, usa vestimentas corretas, equipamentos básicos de segurança com suporte adequado, faz trilhas radicais, estradas de chão batido, alimenta-se bem, cuida de revisar a bike e alonga-se antes de pedalar.
Há quase dois anos sou parte de sua equipe de apoio.
É, não basta ser mãe é preciso participar de seus esportes radicais.

Lucelena Maia
S. João da Boa Vista/SP
03/05/2009

terça-feira, 5 de maio de 2009

Mãe


foto lucelena e felipe

Mãe

Cuida do ninho
alimenta o filhote
cantarola em seu leito
adormece-o no peito
ou sobre o decote...

Mãe,
olhos de águia
cuidadosa e quieta
atenta e esperta
observa o voo
que um dia ensinou...


Mãe
é também lamparina,
na noite escura,
em cada esquina,
na madrugada,
um anjo que guia...


Mãe
faz laços e laços
de afeto, carinho, amor
e cuidados (com os filhos)
para quando em
tempos escassos,
na sua ausência,
entrelaçada a esses laços,
ela seja eterna presença...

lucelena maia
São João da Boa Vista/SP
maio/2009

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Eu queria escrever...


Eu queria escrever...
lucelena maia


...Um poema que afrontasse
a minha discrição,
saísse das entranhas
como um filho herege
a devorar a passividade
dessa que o descreve.

...Um poema flecha,
certeiro nos versos
a derrubar alvos.

... Tivesse linhas indecifráveis
ao tirano
e compreenssiveis
ao humano.

... Um poema forte,
direto na boca
da fome,
da tristeza,
da amargura,
da incerteza,
concluindo-se proeza.

...Que fosse sem regras,
versos sem pregas,
solto e real
como eu o pressinto.

...Um desabafo de improviso
sem que para isso
eu perdesse a razão ou o juízo.

Eu queria
ver-me ao avesso
cuspindo o que penso
na cara do mundo
indiferente a opiniões...

...Mas veja o que ocorre,
foge de mim o afronto
por certo este é bronco
ou está ele de porre!

lucelena maia
S.J. da Boa Vista/SP
29 de abril - 2009

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Livros - A Massai Branca e Retorno em Barsaloi de Corinne Hofmann

Corinne e Napirai


Leitura rápida, nada clássica, mas prazerosa por ser quase um documentário.

Assim foi a minha leitura nesse final de semana prolongado, em que resolvi ficar mais tempo em casa e ler "A Massai Branca" e "O Retorno em Barsaloi" de Corinne Hofmann, uma empresária suiça na África Oriental.

Um livro complementa o outro.

O primeiro fala da paixão avassaladora de uma suiça de 26 anos por um guerreiro Samburu, do Quênia, que a faz dispensar o namorado depois de uma excursão que fizeram aquele país e retornar para viver um grande amor com o guerreiro de corpo quase nu, em sua tribo massai, onde a circuncisão feminina é apenas um dos extravagantes costumes. A luta por água e comida se faz cotidiana, a moradia não passa de uma cabana feita de palha e estrume de vaca. Comunicação entre o casal precária, em que um não fala a língua do outro. Arranham parco inglês.

O amor tem sua linguagem própria, dizem os românticos...

O tempo passa. Durante esses cinco anos, Corinne contrai malária várias vezes que a leva quase a morte quando grávida e também hepatite, além de extrema magreza por se alimentar sempre muito mal. Ela se vê confusa, indecisa em voltar para Suiça alguns meses após seu bebe nascer. Ela já havia ido e vindo outras vezes, antes de conseguir permanência definitiva no país e antes de ter a filha, mas ficava no máximo 40 dias afastada de seu grande amor e do verdadeiro lar, como ela classificava Barsaloi.

Sendo casada com um Samburu era preciso ele autorizar sua saída do país, e ele faz achando que por algum tempo, como das outras vezes, até Corinne se recuperar do stress, em parte causado por ele, extremamente ciumento e ultimamente bebendo, também. Mas Corinne estava triste e desiludida com seu amor, já não o reconhecia, algumas vezes ele duvidava ser o pai de Napirai e isso fez mudar o amor que ela sentia por ele.

Corinne achava agora que a educação da filha devia ser na civilização. A menina já estava com um ano e meio. Nunca sentira falta da Suiça como sentia, só pensava em ir embora, porém sabia que jamais deixaria de ajudar aquela gente tão necessitada em Barsaloi, era seu pensamento.

Assim ela partiu, para não mais voltar ao Quênia.

Corinne continuou, mesmo a distância e sem ter contato com seu ex-marido massai, a ajudar a todos, principalmente depois do lançamento do livro que lhe rendeu 6 milhões de vendas por todo o mundo.

Quatorze anos depois, com o livro publicado e a filmagem da história em andamento, ela retorna ao Quênia e conta sua experiência no livro "Reencontro em Barsaloi".

O texto é rápido e cheio de emoções, pois o medo de não ser bem recebida na tribo, que a deixava insegura antes de ir, acabou assim que colocou os pés naquele país. Foi recebida com muito carinho e respeito por todos que a conheciam e isso a levou a reviver com certa nostalgia a história passada. Mas o passado já não se encaixava no presente, até porque Napirai, com 15 anos, não manifestava vontade de conhecer sua família queniana. Era uma jovem suiça, apesar da cor. Para eles, no Quênia, ela disse que a menina estava estudando, numa outra oportunidade iria vê-los, porém eu busquei saber, pela internet, hj ela tem 18 anos e ainda não foi ver seus parentes africanos.

O filme já esteve em cartaz, em 2005, e deu a atriz principal, Nina Hoss, no papel de Corinne, algum prêmio importante na Alemanha, onde o filme foi produzido.

A leitura a principio não me agradou pela paixão entre pessoas tão diferentes. Ela de classe média alta e ele um samburu sem instrução escolar (analfabeto), principalmente pela diferença gritante de cultura. Porém no desenrolar da história me apeguei aos costumes daquela gente e transportei meus olhos para as dificuldades daquelas pessoas humildes em meio ao nada e ainda assim felizes ao modo deles.

Através da ótica de Corinne conheci um pouco mais do Quênia e ela o faz com leveza e consideração.

Enfim, uma história real que merece respeito de quem a lê.



Lucelena Maia
São João da Boa Vista/SP
22/04/2009

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Eu sou...



Eu sou...
lucelena maia

Eu sou o perfume romântico da vida
Eu sou senhora do desvelo inabalável
Sou leve fragrância, no ar, indefinida
Sou esse brilho de estrela, inesgotável

Eu sou o bem-estar da paixão inquietante
Eu sou a lua, cheia de beleza e vaidade
Sou tudo o que persiste por alguns instantes,
Sou também o que segue pela eternidade

Eu sou saudade sem ser ela desventura
Eu sou o tempo em contratempo co'amargura
Sou burburinho cortejando a quietude

Eu sou o homem e a mulher em sintonia
Eu sou dois corpos desnudando a poesia
Sou o pôr-do-sol expressivo em atitude

São João da Boa Vista/SP
abril/2009

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Nada em vão



Nada em Vão
lucelena maia

Assim como tu, também vagueio
num desatino de passos solitários,
inutil caminhar; volto e páro
diante da porta de meus anseios

Ao tempo, que se me diz amigo,
entrego a saudade trazida comigo,
a cada manhã, nessa nova morada

E, aos pés da Serra da Mantiqueira
de pura beleza pr'os meus olhos
ajoelho-me, caro amigo, e oro,
oração de uma forasteira

Que, um dia, pisou esse chão
aprazada em não ficar em vão,
pronta a abrir portas fechadas

São João da Boa Vista/SP - 2009

quarta-feira, 1 de abril de 2009

I Concurso de Redação na Escola de São João da Boa Vista



Lucelena Maia (primeira à esquerda) durante reunião de 2a. feira

Escritora, radicada em São João traz sua experiência de sucesso obtida em Uberlândia


Clovis Vieira
Jornal O Municipio de 1/4/2009

Entidades sanjoanenses preparam projeto de redação para escolas


Reunião ocorrida nesta segunda-feira (30) definiu diversos itens de um projeto que deverá mobilizar alunos das redes pública e particular no segundo semestre deste ano. Trata-se do "Redação na Escola", idealizado pela escritora Lucelena Maia, radicada na cidade desde janeiro de 2007.
Atraindo entidades como Agência de Desenvolvimento, Associação Comercial e Empresarial e Academia de Letras, o projeto pretende "estimular a pesquisa histórica, cultural, científica e de valores junto aos estudantes das escolas da rede pública e privada, de ensino fundamental e médio na cidade de São João", conforme dita o seu regulamento.

Embora o cronograma do projeto não esteja totalmente concluído, trabalhos serão propostos em duas modalidades: desenho e redação e produzidos em sala de aula em cada turno, simultaneamente, em todos os estabelecimentos de ensino.

A poeta Lucelena Maia já adianta que os autores dos melhores trabalhos receberão diploma e o livro que será editado contendo as redações, com direito a noite de autógrafos. A autora pretende oferecer aos participantes "espaço às manifestações do saber, do pesquisar e do interessar-se".

A autora tem a certeza do sucesso pelo interesse demonstrado pelas entidades envolvidas e pela união das forças que cada uma delas representa no município.

(toda a reportagem pode ser lida no http://www.omunicipio.jr.br/ na página educação, do dia 01/4/2009.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Revista Atua







Leia a revista ATUA, março 2009, pelo website: www.revistaatua.com.br
Na página 78, opinião, você encontrará o meu texto;
"Simplesmente mulheres..."




Simplesmente mulheres...

Aproveito o mês de março em que se comemora o “Dia Internacional da Mulher” para abordar esse tema, cujo título do texto vem de um poema, em que digo:
“De qual espécie é você mulher? Dona de tantas habilidades... Às vezes, um cãozinho amigo, outras, uma onça selvagem, teimando em não esmorecer diante dos afazeres casa, criança, trabalho, marido, supermercado, jantar, cantiga de ninar, televisão, internet, noticiário, roupas para arrumar no armário, assuntos a serem resolvidos, outros tantos deixados de lado, alguns até esquecidos. Não o marido; com ele, você se refaz do cansaço, troca carícias, diálogo, cumplicidade e forças para continuar, já que é dona de singular sentimento. E esse provento, só você sabe espalhar, porque, além de mulher, é anjo na terra dos homens que nasceram do seu ventre e, do seu corpo, receberam coração...”
O poema não termina aí, fala de consternado olhar sobre a atitude humana, muitas vezes, desumana.
E este é o objetivo do texto, dizer que o “Dia Internacional da Mulher” não é um tributo à beleza ou a maternidade, que isso é obra da genética. O “Dia” é bem-vindo para enfatizar as injustiças praticadas a mulher, para lembrar às mulheres o quanto tantas outras tiveram de lutar, morrer, simplesmente para que, hoje, pudéssemos galgar a posição na vida que sempre deveria ter sido nossa. Mas, há ressalvas. A sociedade ainda discrimina a mulher com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho, desvantagens na carreira profissional etc.
Esforçamo-nos diariamente para conciliar a vida profissional com a vida familiar porque fomos, por obra de Deus, presenteadas com a gestação, o parto e a amamentação. Onde está o sexo frágil?
O “Dia Internacional da Mulher” precisa perder o sentido de existir. Foi importante em muitos momentos? Claro que sim. Mas depois de tantas conferências, debates e reuniões pelo mundo para discutir o assunto é possível que homem e mulher possam riscar do calendário esse 08 de março anual, usado para disseminar a divisão desnecessária e imbecil entre homens e mulheres, numa disputa incessante pela desigualdade.
Se, a nós foi dado o dom da gestação e do parto, ao homem foi dada força muscular. De uma forma ou de outra somos igualmente fortes, pois, inteligência, determinação e responsabilidade são dispensáveis de serem mencionados.
Por fim, como a data é lembrada no mundo todo, negligenciá-la perderia o sentido para o que escrevo, por isso, penitencio-me desejando a você, mulher, que lê esse texto, felicidades nesse mês de março.

Lucelena Maia

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Encontro marcado



Encontro marcado

Lucelena Maia


Nem ontem

Nem amanhã

Hoje é o nosso encontro

Com passagem de ida

Porta aberta

Romance

Encanto


Penso no que possa acontecer

Você preencher-me

Com sorrisos

Gestos

Sexo

Carinho

E depois?

Quando eu acordar

E nada restar

Apenas o ontem

Como juntar os pedaços de mim!


Ainda assim...

Será que arrisco

Me arrumo

Faço-me de forte

Bebo alguns goles

E esqueço o depois?

Ou,

Tomo banho

Coloco pijama

Estalo pipoca

Ligo a tv

E esqueço você!

set/2001
Uberlândia/MG

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Serão, tolices!



Serão, tolices!
lucelena maia

...O que há em mim e tu não vês,
Apesar disso, tanto, tu procuras
Como a um clássico livro de leitura
Que folheias mil vezes antes de ler!

Ouça, vou dizer-te, amado,
Nas páginas de um livro há relatos,
Como numa relação existem fatos,
Desobrigam-se de serem revelados.

Por isso não furte de nós a felicidade
E tudo o que vivemos com candura
Nem te faças homem de alma dura,
Alimentando na relação dubiedade

Sinta o frescor, no corpo, tatuado,
Por infindos beijos, mil abraços,
Na pele suada, alinhave de traços
Em lençóis de seda arrematados.

Hoje, para nós, é fugaz presente
Tão precioso, quanto irradiante
Bem-usado, faz-nos diamantes,
Se não, dois tolos, adolescentes.

jan/2009